O PENSAMENTO BRAMANICO - MUNDO DA FILOSOFIA
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O Pensamento Bramânico

 

 

O PENSAMENTO BRAMÂNICO

 Da religião védica desenvolve-se o pensamento bramânico, o pensamento clássico da civilização indiana, graças à casta dos brâmanes. A casta bramânica, sacerdotal, predominava na Índia, porque operava o sacrifício do qual tudo depende. Deteve, portanto, longamente o domínio da cultura. No começo, o bramanismo, além da crença comum ortodoxa na divindade dos Vedas, mantém a atitude humanista e otimista do vedismo, como se vê nos Brâmanas. Mais tarde, nos fins do século VI a.C. - esse humanismo e otimismo cederão lugar a uma concepção e a uma praxe pessimistas e ascéticas do mundo e da vida que não fenecerão mais. Isto se realizou também sob o impulso de correntes não bramânicas, especialmente do Ioga, que representa uma solução do problema da vida com orientação prático-ascética, e outrossim pela introdução do conceito de metempsicose, desconhecido dos Vedas, o qual ficará em seguida também no jainismo e no budismo e em todo pensamento indiano.

A metempsicose indiana fundamenta-se em dois conceitos principais: o de samsâra, em que a realidade é considerada como um evoluir fenomênico; e o de karman, conforme o qual esse devir fenomênico é imaginado como uma fatal conexão dos nossos atos. A vida humana, no mundo, é levada por um vir-a-ser inelutável, vão e doloroso, cuja causa está nos nossos atos. Temos, pois, que nos libertar daquele devir e desses atos. No bramanismo essa libertação é concebida como uma quietação no absoluto - no Braman - de que o mundo é aparência, ilusão; pelo contrário, no budismo será concebida como quietação no nada - nirvana -, sendo o evoluir fenomênico a única realidade.

Essa concepção pessimista e ascética do mundo e da vida se manifesta especialmente no bramanismo dos Upanixades. Aí a tendência ioga é tida em grande honra, mas a solução do problema da vida - a evasão do mundo - é procurada não por via prático-negativa, e sim por via teorética e contemplativa: como libertação da ilusão do mundo empírico, pela consecução da quietude, pela absorção total no Todo-um.

Vedismo e Bramanismo - O bramanismo é a sistematização litúrgica, social, intelectual da tradição védica, operada pela casta sacerdotal entre 1000 e 500 a.C., período de sincretismo religioso, étnico, filosófico na história da Índia. O bramanismo continua a acreditar na divindade dos Vedas, e, inicialmente, é ainda humanista e otimista. A sua primeira importante expressão literária é representada pelos Brâmanas, que são um comentário dos Vedas redigido pelos brâmanes; nesse comentário efetua-se propriamente a passagem do vedismo ao bramanismo, das divindades concretas do Rig-Veda ao abstrato Braman. Uma ulterior sistematização filosófica será constituída pelos Upanixades, que têm em comum com os Brâmanas o caráter de conhecimento revelado - como os Vedas.

Os Brâmanas colocam-se entre o VII e o V século a.C. São posteriores aos Vedas, certamente ao Rig-Veda; entre o Rig-Veda e os Brâmanas corre geralmente um intervalo que vai de cinco a dez séculos. A importância central, criadora, do sacrifício na religião védica e certa inclinação particular ao pensamento indiano para o monismo produziram, antes de tudo, um panteísmo vago, prático, técnico, ritualista, em que a fórmula ritual divinizada (o braman) toma um lugar de grande importância, porquanto as leis do sacrifício são as leis fundamentais do universo; e, em seguida, produziram um panteísmo intelectualista, metafísico, em que o braman (a fórmula ritual divinizada) se tornará Braman, o princípio primeiro, o divino Todo-um.

Tal desenvolvimento especulativo é obra especialmente dos brâmanes, e vai junto com o afirmar-se do predomínio social deles. Como é sabido, a sociedade indiana era dividida, fundamente, em quatro castas: os brâmanes (sacerdotes), os kshatriyas (guerreiros), os vaiçyas (lavradores e artesões) e os çudras (servos). As três primeiras classes são formadas pelos árias de religião védica, nobres e livres; a quarta classe é constituída pela população autóctone, escrava ou vivendo fora do organismo social, sem casta e sem lei. Os direitos e os deveres são diferentes, conforme as diversas castas: é suma impiedade confundi-los, bem como é suma impiedade confundir as diversas castas. Cabe exclusivamente à casta bramânica a técnica ritual e o conhecimento especulativo baseado nos Vedas. No organismo social indiano, a casta suprema é a bramânica. Visto que em suas mãos a lei religiosa (dharma) que rege o universo (natureza, homens, deuses), o brâmane se torna uma espécie de divindade e, pela sua ciência, é mestre religioso e depositário da cultura no mundo ariano. Todo homem livre tem que ser instruído por um brâmane. A ciência perfeita consiste no conhecimento do Braman e a vida perfeita é uma conduta bramânica.

Referências Bibliográficas:

BURN, Lucilla. O Passado Lendário - Mitos Gregos. São Paulo: Moraes, 1992.
CERAM, C.W. Deuses, Túmulos e Sábios. São Paulo: Melhoramentos, 19.ª edição, 1989.
DUMÉZIL, Georges. Jupiter Mars Quirinus, essai sur la conception indo-européenne de la société et sur les origines de Rome. Paris, Gallimard, 1941.
PADOVANI, Umberto e CASTAGNOLA, Luís. História da Filosofia, Edições Melhoramentos, São Paulo, 10.ª edição, 1974.

© Texto Produzido Por Rosana Madjarof - 14/02/2015 - Respeite os Direitos Autorais

 

 
 
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